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Jornal da Mostra / 49ª Mostra

Mostra relembrou os 80 anos dos bombardeios a Hiroshima e Nagasaki e exibiu dois filmes que trazem o lado dos sobreviventes da tragédia

08/10/2025

Juri da 48ª Mostra

Foto: “Alma Errante - Hibakusha”, de Joel Yamaji

Há oitenta anos, o mundo testemunhou um dos episódios mais sombrios da história da humanidade. Em agosto de 1945, as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki foram devastadas por bombas atômicas lançadas pelos EUA, acelerando o fim da Segunda Guerra Mundial e causando uma tragédia humana que, ainda hoje, tem proporções incalculáveis.

Em memória a este evento trágico, a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo apresentou os filmes Chuva Negra (1989) e Alma Errante - Hibakusha (2025), que trazem o lado que o cinema não nos deixou esquecer: o das vítimas e dos sobreviventes.

Uma sessão dupla especial ocorreu no Sato Cinema no dia 19 de outubro, onde a exibição foi seguida de uma apresentação da música "Rosa de Hiroshima" (baseada no poema de 1946 do escritor Vinicius de Moraes), interpretada por Mariana de Moraes, filha de Vinicius, e por Gerson Conrad, do Secos & Molhados, grupo que eternizou a canção. 

"Chuva Negra", dirigido pelo japonês Shohei Imamura, se passa cinco anos após a bomba atômica ter atingido Hiroshima. O filme recebeu uma menção especial do Júri Ecumênico e o Grande Prêmio Técnico no Festival de Cannes de 1989. 

Baseado no livro homônimo do escritor Masuji Ibuse, o longa recria ficcionalmente o que aconteceu com quem não morreu na explosão. A população sobrevivente sofre com a radiação deixada pelo bombardeio, que por muitas vezes chega na forma de uma chuva negra. Nesse cenário, Yasuko, seu tio e sua tia são forçados a lidar com as provações dessa catástrofe. A Mostra exibe a versão restaurada do filme.

Já o curta-metragem documental "Alma Errante – Hibakusha", dirigido pelo nipo-brasileiro Joel Yamaji, registra a história do sobrevivente Takashi Morita. Ex-soldado da Guarda Imperial no Japão, ex-relojoeiro e sobrevivente da bomba atômica sobre Hiroshima em 1945, ele se tornou um ativista pela paz. Takashi tinha 100 anos de idade quando faleceu, em 2024. 

O documentário, que fez sua estreia mundial na 49ª Mostra, não é um filme sobre a guerra, mas sobre alguém que passou por ela e sobreviveu.