Ministério da Cultura e Petrobras apresentam - 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo >>> DE 15 A 29/10 >>> VI Encontro de Ideias: DE 20 A 23/10 Ministério da Cultura e Petrobras apresentam - 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo >>> DE 15 A 29/10 >>> VI Encontro de Ideias: DE 20 A 23/10 Ministério da Cultura e Petrobras apresentam - 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo >>> DE 15 A 29/10 >>> VI Encontro de Ideias: DE 20 A 23/10

Editorial

50ª Mostra

 

Meio século 

Datas redondas são perigosas porque criam expectativas e muitas vezes a expectativa é meio caminho andado para decepção. Porém, temos a impressão de que este não será o caso com o nosso aniversário de 50 anos, já que, temerosos, até exageramos nas realizações. 

O site da Mostra já foi muito usado para pesquisas, porém, com o passar do tempo, as mudanças tecnológicas tornaram impossível a interação entre as páginas das diversas edições. Por isso, nos últimos dois anos, trabalhamos para criar uma nova plataforma, onde a consulta volta a ser possível e todo o nosso acervo estará à disposição do público. 

Muito da nossa história, e da história de São Paulo e do Brasil, também está na exposição “Tempo e Movimento: Os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo”, em cartaz no Solar Fábio Prado. E, ainda como parte das celebrações, lançamos o livro “50 Anos, 50 Cartazes: A História dos Cartazes da Mostra Internacional de Cinema”. 

Neste ano muito especial, abrimos a edição com o cineasta James Gray e o seu “Tigre de Papel”. O realizador, que também nos presenteou com o desenho que dá rosto à 50ª Mostra, estará em São Paulo, onde será homenageado com o Prêmio Leon Cakoff e ganhará uma retrospectiva. 

O produtor português Paulo Branco, um incansável defensor do cinema autoral, também é homenageado com o Prêmio Leon Cakoff. Com mais de 300 filmes no currículo, Paulo estará pela primeira vez na cidade, onde apresentará uma retrospectiva e receberá o prêmio em mãos. 

O terceiro homenageado com o prêmio Leon Cakoff é o diretor, roteirista e ator indiano S. S. Rajamouli. O cineasta “que fez Bollywood parecer pequena”, de acordo com a imprensa indiana, virá a São Paulo receber a homenagem, apresentar o seu mega sucesso “RRR: Revolta, Rebelião, Revolução” (2022) e fazer uma masterclass.

Já o Prêmio Humanidade será concedido ao diretor ítalo-chileno Marco Bechis, que apresenta o seu novo filme, “Retorno a Buenos Aires”. Ele volta à cidade, onde já esteve para apresentar pujantes obras que também justificam a nossa homenagem, como “Garagem Olimpo” (1999) e “Terra Vermelha” (2008). 

A programação conta ainda com a exposição “STEPS”, com fotografias do mestre iraniano Abbas Kiarostami, marcando os 10 anos de sua partida. Ahmad Kiarostami, filho de Abbas, fará um painel com o diretor argentino Lisandro Alonso sobre a refilmagem de “Gosto de Cereja” (1997), uma das obras-primas de Kiarostami. 

A 50ª Mostra apresenta também os novos restauros de “A Batalha do Chile” (1975-1979) e do raro “O Primeiro Ano” (1972), em memória a uma das principais vozes do cinema documental latino-americano, o recém-falecido cineasta chileno Patricio Guzmán. 

Também lembramos o centenário do cineasta polonês Andrzej Wajda com a exibição de cópias restauradas de “Cinzas e Diamantes” (1958), “O Bosque de Bétulas” (1970) e “Sem Anestesia” (1978). E celebramos o mestre armênio da montagem Artavazd Pelechian com a exibição de sua obra recém-restaurada. 

Até a seção Mostra em Série terá um restauro neste ano para reforçar o nosso comprometimento com a história do cinema, com a exibição de “A Casa no Bosque” (1971), de Maurice Pialat. E para finalizar esta festa da história cinematográfica, apresentaremos “Aurora” (1927), de F.W. Murnau, com trilha executada ao vivo pela Orquestra Brasil Jazz Sinfônica. 

Porém, é claro que a 50ª edição apresenta um grande panorama do cinema contemporâneo, e traz os mais recentes trabalhos de diretores muito conhecidos do público da Mostra como Hirokazu Kore-eda, Radu Jude, Tsai Ming-liang, Bruno Dumont, Jia Zhangke, Lisandro Alonso, Ruth Beckermann, Lav Diaz, Jonathan Glazer, Kiyoshi Kurosawa, Hong Sang-soo, Ali Asgari, Amos Gitai, Sandra Wollner, Sergei Loznitsa, Paweł Pawlikowski, Ryusuke Hamaguchi, Ulrike Ottinger, além de muitos outros. 

Entre os mais esperados, claro, estão os premiados nos grandes festivais, como “Fjord”, de Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro em Cannes; “Minotauro”, de Andrey Zvyagintsev, Grande Prêmio do Júri também em Cannes; “Mulher Desconhecida”, de May el-Toukhy, que recebeu o Leão de Ouro em Veneza; e “Amor Possível”, de Lee Chang-dong, Grande Prêmio do Júri no mesmo festival, além dos vencedores de Roterdã e Locarno. Mas somam-se a eles muitas descobertas e obras de novos realizadores que vão surpreender e encantar o público. 

O Encontro de Ideias Audiovisuais chega ao seu sexto ano consolidando sua vocação de promover debates e reflexões sobre temas que inquietam o setor, junto com os já tradicionais Fórum da Mostra e o Da Palavra à Imagem, somando-se o Quase Lá, nosso work in progress para o cinema brasileiro. 

A Mostrinha chega à sua 3ª edição de forma especial: o pôster deste ano carrega dois personagens cangurus criados pelo cartunista e escritor Ziraldo (1932–2024), e novamente teremos sessões em todos os CEUs da cidade, além de outros locais da capital e do interior. 

Por fim, retomamos a parceria com a editora Cosac com o livro “Antes Que Eu Me Esqueça: Um Ensaio de Lembranças para os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo”. Um relato pessoal que me permiti fazer numa data que incentiva memórias e reflexões. 

E, antes que eu me esqueça, agradeço aos patrocinadores e parceiros que tornaram possível comemorarmos meio século de existência e, claro, à equipe da Mostra que conserta qualquer esquecimento e, aos trancos e barrancos, nos trouxe até aqui. 

Renata de Almeida