Profissionais discutem parcerias entre Brasil e Argentina
31/10/2013
Sabe aquela história de que o quintal do vizinho é sempre melhor do que o nosso? Pois é. Com os cinemas do Brasil e da Argentina acontece mais ou menos isso.
Atualmente, parte do setor cinematográfico brasileiro olha para o vizinho latino e se pergunta: Por que eles emplacam tantos filmes em festivais internacionais e como eles conseguem produzir por valores muito menores que os nossos?
Os argentinos, por sua vez, olham para o Brasil e invejam o volume de recursos disponíveis para a produção, as parceiras entre produtores nacionais e distribuidoras hollywoodianas e o espaço que o cinema brasileiro ocupa do mercado – se o nosso market-share é baixo, o do cinema argentino é menor ainda.
As vantagens e desvantagens dos sistemas de produção dos dois países e as possibilidades de parcerias e coproduções foram amplamente discutidas durante o Encontro com o Cinema Argentino, promovido pela 37ª Mostra em parceria com a Embaixada da Argentina e com o Cinema do Brasil.
O evento, realizado na última terça-feira no Espaço Itaú de Cinema, reuniu produtores e realizadores dos dois países. “Nós já tínhamos trabalhado com vários países europeus e sempre nos perguntávamos: Por que conseguíamos fazer filmes com França e Alemanha, mas não com a América Latina?”, disse, durante uma das mesas, o produtor argentino Nicolás Avruj, que acaba de firmar uma parceria com o Brasil. “Finalmente, isso começa a acontecer”, completou.
Os presentes foram, porém, unânimes em dizer que, a despeito dos avanços, as dificuldades ainda são muitas. Dentre os principais entraves para o avanço das coproduções estão as diferenças no modelo de financiamento dos dois países, os nós burocráticos e o abismo entre os valores de produção aqui e lá. “No Brasil, tudo custa três vezes mais. Como coproduzir assim?”, questionou o produtora brasileira Vânia Catani que, neste momento, desenvolve três projetos com o país vizinho.
Ana Paula Sousa