CINEMAS DA ÁSIA E ARGENTINA SEGUEM PRESTIGIADOS NA PREMIAÇÃO DA BERLINALE
21/02/2007
Nada mais comum na história da Berlinale (nome popular do Festival de Berlim). O júri da 57ª edição disse que o melhor filme da sua seleção é um asiático Tu ya de hun shi/ Tuyas Marriage/ O Casamento de Tuya, do mongol Wang Quanan. O cinema argentino continua prestigiado, saindo com dois prêmios para El Otro, de melhor ator (Julio Chavez) e Grande Prêmio do Júri. Significa que se referenda ainda um cinema minimalista e cheio maneirismos em que gestos e silêncios valem mais do que mil palavras. Os produtos Made in China, não param de conquistar também espaços do cinema independente. Mesmo que as autoridades totalitárias do país digam que censuram seus autores e pensadores.
Nem por isso o cinema verborrágico de Robert De Niro The Good Shepherd deixou de ser contemplado: pela contribuição artística do seu elenco estelar (Matt Dammon, Angelica Jolie, Alec Baldwin além do próprio De Niro). O prêmio contempla a vocação do festival que prestigia os independentes, mas estende o tapete vermelho para a difusão anual dos melhores de Hollywood. A homenagem teria uma intenção velada, pois De Niro construiu um corajoso filme sobre o nascimento da CIA e os equívocos desastrosos de um patriotismo cego.
O escocês David Mackenzie (Young Adam) foi premiado pela realmente brilhante trilha sonora de Hallam Foe, que traz no papel título o já crescido e competente Jamie Bell (de Billie Elliot). Curioso um filme ser referendado pela sua trilha sonora pop.
Como melhor diretor foi apontado o israelense Joseph Cedar com Beaufort, com um episódio sobre derrota e retirada de Israel de um monte conquistado em território libanês. Fala da estupidez da guerra e das relatividades de uma conquista. O cinema de Israel segue o modelo minimalista do argentino embora se fale muito sem que quase nada saia do lugar. Mais um interessante exercício de estilo, mostrando que também a escola de Amos Gitaï tem bons seguidores.
A forte e bela intérprete alemã Nina Hoss, mais do teatro que do cinema, foi a escolhida como melhor atriz pelo estranho e marcante filme Yella, de Christian Petzold, um pesadelo fantasmagórico que lembra os escapismos de David Lynch, mas que sugere na sua nervosa ação toda a nomenclatura de uma nova Alemanha unificada que abre grandes espaços para a corrupção corporativa. Todos, inclusive Nina Hoss, estranharam a não premiação da francesa Marion Cotillard metamorfoseada em Edith Piaf no La Vie en Rose.
Coerente com as suas escolhas, o júri de Berlim fechou a lista honrando a linguagem inovadora do coreano Park Chan-wook, conhecido pela desconcertante violência em seus filmes, com o prêmio Alfred Bauer (nome do fundador do festival) para Sai bo gu ji man gwen chan a/ Im a Cyborg but thats Ok. O filme se passa todo dentro de um hospício onde uma jovem anoréxica só pensa em se alimentar com descargas elétricas, seja de raios, seja de pilhas.
Evidentemente o Festival de Berlim teve muito mais. Ao longo do ano outros títulos serão destacados e chegarão aos nossos cinemas. A temporada cinematográfica está começando. Com o tempo se falará até em injustiças. Para isso todos contam com o referendo do público. Os cinéfilos com a palavra.
Mais informações em www.berlinale.de