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Jornal da Mostra

50ª Mostra traz em sua programação restaurações da obra do cineasta armênio Artavazd Pelechian

08/10/2026

Juri da 48ª Mostra

Foto: “Nós” (1969), de Artavazd Pelechian

A 50ª Mostra apresenta em sua programação o “Projeto Pelechian”, que traz restaurações da obra indescritível e inclassificável que o cineasta armênio Artavazd Pelechian construiu ao longo de seis décadas. Em 1994, a 18ª Mostra já havia exibido alguns de seus filmes, e agora, em sua 50ª edição, exibe oito de seus títulos em cópias recém-restauradas. 

O cinema de Pelechian é composto de imagens e música, ritmo e rimas, ecos, contrapontos e ressonâncias entre as diferentes faces do audiovisual. Entre o documentário, o cinema experimental, a vanguarda e o cinema-ensaio, é difícil restringir seus filmes a uma categoria específica, enquanto eles passam por temas como o registro da natureza, do trabalho, da história, da fé e de tudo que é humano.

Sua famosa teoria cinematográfica, que ele chama de "montagem à distância", método equidistante da montagem metafórica de Eisenstein e do “cine-olho” de Vertov, dois dos mais influentes teóricos russos, é um ponto de inflexão dentro da história do cinema. Para Pelechian, a montagem não precisa ligar duas imagens consecutivas; imagens semelhantes ou relacionadas se espalham ao longo do filme, criando uma relação à distância entre elas.

“Patrulha da Montanha” registra o trabalho de um grupo de operários para evitar que a queda de fragmentos de uma montanha danifique a linha de trem. Pelechian compõe uma sinfonia de faces e pedras, estabelece continuidades e tensões entre a ação humana e a resistência da matéria.   

Em “Terra do Povo” (1966), o espaço desta vez é urbano, mas os ritmos novamente são os do trabalho. Pelechian escolhe um elemento, as mãos, e o faz proliferar em diversos usos, reafirmando assim a continuidade entre uno e múltiplo, entre rotina e inovação. 

“O Começo” (1967) introduz o uso de imagens de arquivo, material que a partir daí se torna essencial nas composições do artista armênio. Pelechian retoma registros cinematográficos e fotográficos da Revolução Russa a fim de construir uma visão da História como círculo, não como progressão linear. 

“Nós” (1969) inaugura um novo campo em seu cinema ao representar a identidade esfacelada dos armênios. Diante do histórico de dominações, invasões e do genocídio promovido pelos turcos no início do século 20, Pelechian questiona o que é um povo.

Com “As Estações” (1975) a natureza retorna ao centro de sua obra, filme que ganha um contraponto inquietante em “Nosso Século” (1982), o primeiro de Pelechian em formato mais longo, com 51 minutos de duração. O cineasta coreografa imagens de voos, lançamentos de foguetes, viagens espaciais e passeios orbitais, e sugere que estamos mais próximos do fim que de um novo começo.

“Fim” (1992) e “Vida” (1993) retomam a forma curtíssima. São compostos de faces, gestos, texturas, closes, indícios de um retorno ao elementar, à Natureza, ponto de partida e de chegada.

Ao trazer estas oito criações de Pelechian em versões restauradas, a 50ª Mostra oferece uma oportunidade de redescobrir um artista único, inventor de uma gramática cinematográfica particular para retratar um mundo tão complexo quanto inexplicável. 

A restauração dos filmes de Artavazd Pelechian foi promovida pela Coproduction Office em parceria com a Cineteca di Bologna, sob a supervisão do diretor. Os melhores materiais disponíveis foram selecionados pelo cineasta e digitalizados em 4K na Televisão Pública da Armênia. A restauração e o tratamento de cor foram realizados pelo laboratório L’Immagine Ritrovata.

 

Neste ano, a Mostra conta com o patrocínio master da PETROBRAS, o patrocínio do ITAÚ, a parceria institucional do SESC, a parceria da SPCINE e da Prefeitura de São Paulo, o fomento do ProAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, a colaboração da EMBRATUR e da NETFLIX, o apoio do PROJETO PARADISO, a promoção da GLOBOFILMES, do CANAL BRASIL, da FOLHA DE S.PAULO, da TV CULTURA, da ARTE 1, do INSTITUTO BANDEIRANTES e da REVISTA PIAUÍ, o apoio técnico da QUANTA e do CULTURA ARTÍSTICA. Realização: MINISTÉRIO DA CULTURA, através da LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA.