08/10/2026
Foto: Patricio Guzmán e imagem do filme “O Primeiro Ano” (1972).
O cinema de Patricio Guzmán e o Chile são indissociáveis. O registro da ascensão e queda do governo de Salvador Allende, entre 1970 e 1973, está no centro de sua obra e revela, ainda hoje, como a História se faz no presente. A 50a Mostra exibe as versões restauradas dos dois primeiros longas de Guzmán — “O Primeiro Ano” (1972) e o monumental “A Batalha do Chile” (1975-1979) — e celebra a memória do cineasta falecido em setembro deste ano, e que foi homenageado com o Prêmio Humanidade na 39ª Mostra, em 2015.
Nascido e criado entre Santiago e a bucólica Viña del Mar, Guzmán cresceu em um Chile que vivia um período de democracia nos anos 1950 e 1960. Ainda jovem, partiu para Madri, onde começou a estudar cinema. Pronto para se lançar num longa de ficção quando soube da eleição de Allende, ele embarcou de volta para casa e, depois de pouco tempo, já estava nas ruas filmando o que viria a se tornar “O Primeiro Ano”.
O filme é uma crônica vibrante e narrada cronologicamente dessa nova política. O registro capta no cotidiano o engajamento das camadas populares em meio a sucessivas crises que afetam os transportes e o abastecimento, com o objetivo de inviabilizar o governo. O filme é um tratado não só sobre esse momento histórico, mas sobre as tensões recorrentes nos países da América Latina entre progresso social e poder.
O contexto social em ebulição permanente impediu Guzmán e sua equipe de descansar. Em modo de guerrilha, Guzmán registrou em detalhe e sob constante risco as transformações que culminaram na derrubada do governo de Allende, em 11 de setembro de 1973. Guzmán foi detido e encarcerado no Estádio Nacional, campo de futebol convertido em campo de concentração pela ditadura.
O material filmado, felizmente, permaneceu intacto e escondido, e o cineasta escapou para Cuba, iniciando um longo percurso de exílio. Guzmán foi acolhido em Paris por, entre outros, o documentarista Chris Marker. Por meio dele, se aproximou do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográficos, o ICAIC, onde obteve as condições técnicas para editar e finalizar as incontáveis horas registradas em película.
As três partes de “A Batalha do Chile”, intituladas, respectivamente, “A Insurreição da Burguesia”, “O Golpe de Estado” e “O Poder Popular”, hoje fazem parte do cânone dos documentários mais importantes e influentes da história do cinema.
Neste ano, a Mostra conta com o patrocínio master da PETROBRAS, o patrocínio do ITAÚ, a parceria institucional do SESC, a parceria da SPCINE e da Prefeitura de São Paulo, o fomento do ProAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, a colaboração da EMBRATUR e da NETFLIX, o apoio do PROJETO PARADISO, a promoção da GLOBOFILMES, do CANAL BRASIL, da FOLHA DE S.PAULO, da TV CULTURA, da ARTE 1, do INSTITUTO BANDEIRANTES e da REVISTA PIAUÍ, o apoio técnico da QUANTA e do CULTURA ARTÍSTICA. Realização: MINISTÉRIO DA CULTURA, através da LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA.