08/10/2026
Foto: Andrzej Wajda e imagem do filme “O Bosque de Bétulas” (1970).
Poucos realizadores exploraram o cinema como ferramenta de análise e representação de um país quanto Andrzej Wajda fez com a história, a sociedade e a alma polonesas durante mais de 70 anos.
O cineasta faleceu em 2016, aos 90 anos, ano em que recebeu o Prêmio Humanidade e uma retrospectiva na 40ª Mostra. Agora, a 50ª Mostra celebra o centenário de nascimento de Wajda com a exibição de cópias restauradas de “Cinzas e Diamantes” (1958), “O Bosque de Bétulas” (1970) e “Sem Anestesia” (1978). Realizados em fases muito distintas de sua obra, os três longas reafirmam a diversidade da filmografia de Wajda e, ao mesmo tempo, sua unidade profunda.
Em “Cinzas e Diamantes”, no último dia da Segunda Guerra Mundial, em uma pequena cidade da Polônia, exilados de guerra poloneses e forças soviéticas de ocupação encaram o início de um novo dia e de uma nova nação. Nesse complexo cenário, um jovem soldado, integrante do exército de livre resistência polonesa, recebe como missão assassinar um líder comunista recém-chegado. Porém, um atraso nos seus planos o faz conhecer uma garçonete que lhe permite um vislumbre de como sua vida poderia ser e o coloca em dúvida sobre sua missão. No filme, Andrzej Wajda retrata uma geração marcada pela guerra, presa entre a memória do conflito e a tentativa de construir uma nova vida.
A narrativa de “O Bosque de Bétulas” se passa na Polônia pré-guerra, por volta de 1920. Bolesław vive recluso em uma cabana escondida no meio da floresta, profundamente transformado após a morte da esposa. Apenas a presença da filha e de uma governanta o impede de se afastar completamente do mundo. A inesperada chegada de seu irmão, gravemente doente devido à tuberculose, desencadeia uma intensa e emocional rivalidade entre esses dois homens. No filme, Wajda constrói uma meditação delicada sobre a vida e a finitude.
“Sem Anestesia” acompanha um renomado correspondente político que descobre, ao retornar do exterior, que a esposa o deixou. Ao mesmo tempo, sua vida profissional começa a ruir: as aparições na televisão e as publicações na imprensa têm uma recepção fria, as aulas na universidade são suspensas e uma viagem internacional há muito tempo planejada é cancelada repentinamente. Andrzej Wajda retrata uma geração marcada pelo conformismo, pelas concessões e pela dificuldade de preservar sua autonomia.
As exibições dos filmes de Andrzej Wajda são organizadas pela Agencja Promocji Mañana em parceria com a Embaixada da República da Polônia em Brasília e o Consulado-Geral da República da Polônia em Curitiba, com financiamento do Instituto Polonês de Cinema.
Neste ano, a Mostra conta com o patrocínio master da PETROBRAS, o patrocínio do ITAÚ, a parceria institucional do SESC, a parceria da SPCINE e da Prefeitura de São Paulo, o fomento do ProAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, a colaboração da EMBRATUR e da NETFLIX, o apoio do PROJETO PARADISO, a promoção da GLOBOFILMES, do CANAL BRASIL, da FOLHA DE S.PAULO, da TV CULTURA, da ARTE 1, do INSTITUTO BANDEIRANTES e da REVISTA PIAUÍ, o apoio técnico da QUANTA e do CULTURA ARTÍSTICA. Realização: MINISTÉRIO DA CULTURA, através da LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA.