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Jornal da Mostra

Exibição da cópia restaurada de "Aurora" terá trilha sonora executada ao vivo pela Orquestra Brasil Jazz Sinfônica

08/10/2026

Juri da 48ª Mostra

Foto: "Aurora" (1927), de F.W. Murnau.

Como um filme com quase 100 anos de idade ainda fascina e tem lugar garantido em toda lista respeitável de melhores de todos os tempos? A 50ª Mostra dá sequência às tradicionais exibições de filmes com música ao vivo com a apresentação da nova cópia restaurada de "Aurora" (1927).

O primeiro longa de Friedrich Wilhelm Murnau em Hollywood, na breve carreira do cineasta alemão nos Estados Unidos, é um dos mais comoventes milagres do cinema e uma comprovação do meio como forma de arte, em tempos nos quais muitos o reduziam a mero entretenimento.

Convidado pelo produtor William Fox, Murnau realizou "Aurora" com rara liberdade criativa ao lado do roteirista Carl Mayer e do diretor de arte Rochus Gliese, nomes essenciais para o resultado visual do filme. Adaptado do conto "A Viagem a Tilsit", de Hermann Sudermann, o enredo se desenrola em uma região rural indefinida, onde um homem é convencido por uma mulher da cidade a assassinar a própria esposa. Ele a leva para um passeio de barco para afogá-la, mas desiste no último instante. Aterrorizada, ela foge para a metrópole, enquanto o marido a procura em busca de perdão. A abordagem do diretor universalizou os personagens centrais e uniu perfeitamente os cenários da Europa rural à atmosfera da metrópole norte-americana.

Lançado às vésperas do advento do cinema sonoro, o longa marcou o apogeu do cinema mudo graças às suas inovações técnicas em fotografia, efeitos visuais e movimentos de câmera, consolidando a força de uma narrativa puramente visual.

O filme ganha duas sessões no Teatro Cultura Artística nos dias 23 e 24 de outubro, com a trilha sonora executada ao vivo pela Orquestra Brasil Jazz Sinfônica. A nova restauração em 4K de "Aurora" foi realizada pela San Francisco Film Preserve em parceria com o British Film Institute, a Cinémathèque Royale de Belgique, o Eye Filmmuseum, o The Museum of Modern Art, o Národní Filmový Archiv de Praga e o George Eastman Museum, com o suporte da Sunrise Foundation for Education and the Arts.

Nascido em Bielefeld, Alemanha, em 1889, Friedrich Wilhelm Murnau foi um dos mais importantes diretores do cinema mudo e do expressionismo alemão. Formou-se em história da arte em Heidelberg, trabalhou como ator e depois como assistente do produtor e diretor de teatro austríaco Max Reinhardt. Realizou filmes que ajudaram a moldar a linguagem do cinema, como "Nosferatu" (1922, 36ª Mostra), "A Última Gargalhada" (1924) e "Fausto" (1926, 23ª Mostra), obras marcadas pelo uso inovador da câmera e pela força de sua gramática visual. Mudou-se para os Estados Unidos na segunda metade dos anos 1920, onde, além de "Aurora" (1927), realizou filmes como "Tabu" (1931, 31ª Mostra). Murnau morreu em Los Angeles, em 1931.

 

Neste ano, a Mostra conta com o patrocínio master da PETROBRAS, o patrocínio do ITAÚ, a parceria institucional do SESC, a parceria da SPCINE e da Prefeitura de São Paulo, o fomento do ProAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, a colaboração da EMBRATUR e da NETFLIX, o apoio do PROJETO PARADISO, a promoção da GLOBOFILMES, do CANAL BRASIL, da FOLHA DE S.PAULO, da TV CULTURA, da ARTE 1, do INSTITUTO BANDEIRANTES e da REVISTA PIAUÍ, o apoio técnico da QUANTA e do CULTURA ARTÍSTICA. Realização: MINISTÉRIO DA CULTURA, através da LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA.