33ª Mostra Internacional de Cinema - São Paulo International Film Festival 20 out - 05 nov 2009

Veja a vinheta

Retrospectiva Abbas Kiarostami

ABC Africa (2001) Irã/França

Sinopse
O filme rendeu algumas experiências inéditas na vida do consagrado diretor iraniano Abbas Kiarostami. Pela primeira vez ele filmou fora do Irã e utilizou câmeras e tecnologia digitais. O diretor viu ainda modificada toda a visão que tinha da África. “Honestamente, eu não tinha nenhum conhecimento sobre o continente africano além daquele que recebia pela mídia, mas devo acrescentar que esse conhecimento foi totalmente transformado depois dessa experiência”, diz o cineasta. Tudo começou em abril de 2000, quando Kiarostami viajou para Kampala (Uganda) a convite do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (IFAD), associação humanitária mantida pela ONU. Durante dez dias filmou as histórias de centenas de crianças e adolescentes, todos órfãos, cujos pais foram vítimas da Aids, doença que já deixou 1,6 milhão de órfãos no país. O convite era para que registrasse a ação da Uweso (Uganda Women’s Effort to Save Orphans), uma associação de mulheres ugandenses que trabalha para a salvação de centenas de milhares de órfãos da Aids no país. O registro rendeu um documentário tocante, repleto de risos e lágrimas e marcado por desilusões e esperanças
Créditos
diretor
Abbas Kiarostami
roteiro
Abbas Kiarostami
fotografia
Seifollah Samadian
produtor
Abbas Kiarostami, Marin Karmitz
produtora
Abbas Kiarostami Productions
world sales
MK2 55, rue Traversière 75012, Paris, France Tel. 33 1 4467-3000 Fax. 33 1 4341-3230
84 minutos
Colorido
Diretor
Abbas Kiarostami

Presente mais uma vez em São Paulo, o cineasta iraniano Abbas Kiarostami ministra uma oficina de cinema e uma aula magna na Fundação Álvares Penteado, apoiadora da Mostra. Além disso, apresenta a exposição As Estradas de Kiarostami, com 52 fotos em preto-e-branco de muitos dos caminhos captados por sua câmera na região norte do Irã, clicadas pelo diretor entre 1978 e 2003. A exposição é apresentada com a colaboração do Museo Nazionale del Cinema de Turim, onde as fotos foram exibidas pela primeira vez, em 2003, e será mantida na FAAP durante a 28a Mostra. A Cosac & Naify e a Mostra promovem o lançamento mundial do livro Abbas Kiarostami, com a exclusiva totalidade das fotos assinadas pelo diretor. O volume contém três textos e quatro poemas inéditos de Kiarostami e sua filmografia completa e comentada, além da análise O Real, Cara e Coroa, de autoria do crítico franco-iraniano Youssef Ishagpour. Kiarostami nasceu em Teerã, em 1940. Cursou a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Teerã. Em 1969, funda o departamento de Cinema do Instituto de Desenvolvimento Intelectual para Crianças e Jovens Adultos, que se torna um centro de referência. Aí passaram futuros cineastas como Dariush Mehrjui e Jafar Panahi. Estreou como roteirista e diretor em 1970, com o curta The Bread and Alley, realizando seu primeiro longa, The Traveller, quatro anos depois. Ganhou reconhecimento internacional a partir de 1987, com Onde Fica a Casa do Meu Amigo?, em que afirma uma linha semidocumental. O tom reforça-se em Lição de Casa (1989, 19a. Mostra), baseado em depoimentos de crianças sobre o sistema escolar iraniano, e aperfeiçoa-se em Close Up (1990, 14a. Mostra), em que o diretor acompanha o julgamento de um cinéfilo que se fazia passar por Mohsen Makhmalbaf. Maior projeção ainda mereceu seu trabalho seguinte, Através das Oliveiras (18a. Mostra), que competiu à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1994 e obteve o Prêmio da Crítica da 18a. Mostra. Com estes filmes, diretor consolida-se como mestre de uma narrativa enxuta, apoiada num enfoque humanista, procurando engajar o espectador em seguir o curso de um tempo que se aproxima à vida real, mediante a identificação com as pessoas comuns, que estão sempre no centro de sua dramaturgia. Seu projeto seguinte foi o roteiro de O Balão Branco (1995, 19a. Mostra), dirigido por seu assistente Jafar Panahi. Retoma o clássico documentário de Jean Vigo sobre Nice em 1930, dirigindo um dos episódios de À Propos de Nice – A Continuação (1995, 19a. Mostra). Dois anos depois, Kiarostami realiza uma drástica guinada de tom, escrevendo e dirigindo uma séria reflexão sobre o sentido da vida em Gosto de Cereja (21a. Mostra), que venceu a Palma de Ouro em Cannes. Nesse mesmo ano, o festival francês concede-lhe o Prêmio Rossellini, pelo conjunto de sua carreira, enquanto a UNESCO entrega-lhe a medalha Fellini. O Vento nos Levará (1999, 23a. Mostra) competiu no Festival de Veneza, obtendo o prêmio especial do júri. Kiarostami filmou pela primeira vez fora do Irã e experimentou o digital em ABC África (2001, 25a Mostra ), um olhar contundente sobre o expansão da AIDS em Uganda. A condição feminina, tema pouco explorado no cinema iraniano, está no centro de Dez (2002, 26a. Mostra), em torno de situações cotidianas na vida de uma jovem mãe, profissional e divorciada. Este filme também concorreu à Palma de Ouro em Cannes. Kiarostami prossegue na análise de temas contemporâneos e urbanos no roteiro de Ouro Carmim (27a. Mostra), também dirigido por Jafar Panahi. Em 2004, o Festival de Cannes exibiu seus dois filmes mais recentes: Cinco e Dez sobre Dez, também incluídos na programação da 28a. Mostra, juntamente com uma pequena retrospectiva de seu trabalho.