“Qualquer filme que trate de medo e culpa tem influência de Bergman”, diz Christian Berger, fotógrafo de A FITA BRANCA
O austríaco Christian Berger, diretor de fotografia dos filmes de Michael Haneke - A PROFESSORA DE PIANO (25ª Mostra), CACHÉ (29ª Mostra) – participou de um debate com o público no domingo, 1º de novembro, no Cine Bombril, após a sessão de A FITA BRANCA, vencedor da Palma de Ouro em Cannes.
Questionado sobre a escolha de realizar o filme em preto-e-branco, Berger disse ter sido uma decisão conjunta com Haneke. “Não quisemos utilizar um preto-e-branco datado, ligado a uma ideia histórica. Tentamos mostrar um preto-e-branco moderno, atemporal”.
Ele disse ainda que, para compor as imagens do filme, foi necessário um trabalho muito preciso. “Foi uma composição árdua. Em algumas locações, o ambiente era muito escuro, por isso precisamos trabalhar com muita precisão”, afirmou. “Haneke gosta de tudo muito suave. Na pós-produção, ele diminui muito o contraste para chegar ao ponto que busca”, completou.
Berger também respondeu a uma comparação do filme com as produções do cineasta sueco Ingmar Bergman. “Haneke trabalha muito com a temática do medo e da culpa em seus trabalhos. E Bergman era um mestre nisso”, disse. “Qualquer filme moderno que trate dessa temática tem influência de Bergman”.