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Louis
Feuillade nasceu em 29 de fevereiro de 1873 em Lunel (Hérault-Frace)
numa família de modestos comerciantes de vinho. Ele manifesta, logo
na adolescência, um interesse profundo pela literatura e acumula
muitos projetos de dramas e "vaudevilles". Alguns de seus poemas
do pior academismo são publicados na imprensa local, onde cria
uma reputação de crítico feroz. Vai para Paris em 1898 para conquistar
a sua glória literária. Um período de grande mistério o aguarda,
jornalista voraz.
No
início de 1905, começa a vender seus roteiros para a Gaumont e,
em pouco tempo, a dirigi-los. Em 1907, torna-se diretor artístico
da produtora, cargo que ocupará até 1918, e continua sua própria
produção. Até 1925, ano da sua morte, totalizava cerca de 800 filmes
(no início do cinema, um filme passava raramente de 10 minutos).
Ele
fez todo tipo de filmes: filmes experimentais com truques recém
descobertos, plágios do grande Méliès, comédias, dramas burgueses,
dramas de época, históricos ou bíblicos, policiais ou de aventuras
exóticas... Mas, sobretudo, a grandiosa série de filmes em episódios
onde brilha plenamente o seu gênio.
A série
de "Fantômas", em 1913, resultado de uma longa aprendizagem durante
a qual a série de ambições realistas "La vie telle qu¹elle est"
teve um papel maior, é a sua primeira obra-prima e a primeira obra-prima
que a crítica moderna chamara mais tarde de "realismo fantástico"
ou "fantástico social", tanto no plano literário com no plano cinematográfico.
"Diz-se que existe no cinema uma tradição Méliès e uma tradição
Lumière; creio que existe também uma corrente Feuillade que utiliza
maravilhosamente o fantástico de Méliès e o realismo de Lumière",
declara Alain Resnais. É, com efeito, mergulhando no coração da
realidade cotidiana que Feuillade sem dúvida um dos maiores artistas
da história do cinema sabe dar credibilidade aos personagens mais
inverossímeis e às situações mais delirantes.
Porque,
para ele, a realidade cotidiana é apenas uma máscara atrás da qual
se dissimula uma outra realidade, bem mais forte, bem mais verdadeira,
bem mais real... bem mais bela: a realidade do maravilhoso, do onírico,
do fantástico. A realidade cinematográfica, em suma.
"Admiro
em Feuillade, continua Alain Resnais, este instinto poético prodigioso
que o permite fazer surrealismo como respiramos. É graças à sua
intuição que devemos as extraordinárias seqüências do arranjo "máquina
de costura e guarda-chuvas sobre uma mesa de dissecação". Em "Fantômas",
o fuzilamento no meio dos tonéis é tão bela quanto a luta de plumas.
O jardim de "Tih- Minh" é tão inesquecível quanto o salão da pensão,
enquanto o Grande Vampiro conta a história do seu avô ou quanto
um religioso que instala o canhão num quarto de hotel. E todas essas
imagens de rua, carros misteriosos cruzando caminhos desertos, parques
com suas cercas, fachadas de hotéis particulares ... "
Louis
Feuillade foi, depois da guerra de 1914, um dos cineastas mais ilustres
do mundo com as séries Fantômas (1913), Les Vampires (1915) e Judex
(1916), os três cilcos presentes nesta seleção da 24a Mostra. Fez
também Tih-Minh (1918) e Barrabas (1919), entre outros, com seus
heróis que se colocaram lado a lado de grandes mitos populares e
que atraíram milhões de espectadores.
Menos
conhecidos, porque uma grande parte foi perdida e porque de outros
só são conhecidos os roteiros, suas comédias e "vaudevilles" não
devem ser negligenciados, muito pelo contrário. Encontramos, no
universo cômico, as mesmas situações absurdas e de suspense que
fizeram o seu sucesso no universo da aventura.
No
esquecimento depois do cinema falado, só os surrealistas declaravam
por ele uma enorme admiração. A sua reabilitação começou depois
da Segunda Guerra Mundial graças a Henri Langlois, restaurador de
seus filmes desde a fundação da Cinemateca Francesa, e a cineastas
como Georges Franju (co-fundador da Cinemateca), Alain Resnais,
François Truffaut, Jean-Luc Godard, Luis Buñuel e muitos outros...
Depois
do lançamento em vídeo nos Estados Unidos de Les Vampires, sua obra
mais famosa juntamente com Fantômas e Judex, a revista Time elegeu
Les Vampires o segundo melhor filme de 1998 depois de O Resgate
do Soldado Ryan, de Steven Spielberg.
Depois
da restauração digital e sonorização musical, a série completa dos
cinco Fantômas foi lançada em DVD no início de 2000.
Jacques
Champreux
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